
Criar uma agroindústria é uma boa forma de empreender no meio rural. O produtor aumenta seu protagonismo e agrega valor à produção ao transforma-la em outros produtos, gerando renda não só para ele, mas para toda a região, através da geração de novos postos de trabalho, desenvolvimento de tecnologias e recolhimento de impostos.
A formação de uma agroindústria é um trabalho que exige atenção e busca de capacitação técnica e de gestão, mas é viável mesmo para produtores familiares, podendo ser um fator também para manter as novas gerações no campo. “Nas visitas que temos realizado, tenho visto um potencial muito grande nos filhos dos agricultores, que estão assumindo as propriedades”, afirma Nelton Antonio Menezes, coordenador estadual do Selo Arte.
Diferentes instituições têm apoiado empreendimentos rurais a saírem do papel com sucesso. O poder público, através de prefeituras e de órgãos estaduais, como a Cidasc e a EPAGRI, também orientam o produtor interessado em agregar valor a seus produtos.
Organizações como o SEBRAE, que auxilia na avaliação da viabilidade do negócio, SENAR e universidades prestam serviços de apoio importantes para quem está começando. Cursos e consultorias ajudam o produtor a se capacitar e organizar um bom projeto.
A agroindústria precisa de uma estrutura física adequada. O planejamento e a construção destas instalações se tornam mais fáceis com a orientação de um responsável técnico, profissional com conhecimento das normas sanitárias. Ele pode ajudar o produtor a obter os registros necessários com agilidade e até mesmo a buscar certificações, como o Selo Arte (voltado a produtos artesanais de origem animal) e o Selo de Conformidade Cidasc (voltado a produtos de origem vegetal).
Nelton Antônio Menezes explica que o caminho a ser trilhado depende dos objetivos e da capacidade de produção de cada empreendimento. Se a agroindústria tem uma produção pequena, capaz de atender apenas a demanda local, obter uma certificação de alcance nacional talvez tenha pouco impacto nas vendas num primeiro momento. Porém, pode auxiliar a empresa a abrir mercados competitivos e mais rentáveis quando ela estiver melhor estabelecida.
O beneficiamento de produtos animais e vegetais está sujeito a regramentos específicos, mas independente do tipo de produto agregar valor à produção é vantajoso para o pequeno agricultor ou pecuarista. Segundo pesquisa realizada pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (CEPA/EPAGRI), as agroindústrias catarinenses conduzidas por produtores familiares movimentam mais de 250 milhões de reais por ano. Cerca de 20% do faturamento é obtido com a venda direto ao consumidor final. Mas, independentemente da escala, a qualidade e a segurança dos alimentos é fator indiscutível e, neste caso, as certificações são a melhor opção pelas oportunidades que oferecem.
Produtos de origem animal
A inspeção sanitária é obrigatória para vender produtos de origem animal. Isto inclui as carnes e seus derivados (seja bovina, suína, ovina ou de aves), pescados, leite e produtos lácteos, ovos e produtos de abelhas. Para beneficiar estes alimentos, o produtor precisa primeiramente construir as instalações e equipar a agroindústria, etapa na qual a orientação de um responsável técnico será fundamental, bem como na obtenção das licenças necessárias junto a diferentes órgãos.
Com a agroindústria instalada, o produtor deve então solicitar o registro em um serviço de inspeção, passando por uma vistoria para ser autorizado a operar. O selo de inspeção a ser solicitado depende também do mercado que se quer alcançar. O registro no Serviço de Inspeção Municipal permite a comercialização dos produtos na região do município e o registro no Serviço de Inspeção Estadual, administrado pela Cidasc, em todo território catarinense.
Os selos mencionados acima são os mais comuns para as pequenas agroindústrias que processam produtos de origem animal, mas existem ainda registros que permitem a comercialização em todo país, como o SISBI e o SIF, porém estes se aplicam mais a empresas maiores. A exceção é o Selo Arte, criado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para distinguir produtos artesanais.
Concedido em Santa Catarina pela Cidasc, o Selo Arte permite que estes produtos de origem animal, que já possuam registro no SIM ou SIE, possam ser vendidos em todo país. Nelton Antônio Menezes ressalta que esta distinção pode ser uma boa estratégia para as agroindústrias mais artesanais e localizadas em cidades mais próximas das divisas estaduais, o que facilita a distribuição para estados vizinhos. O reconhecimento também pode estimular o agroturismo, em que um alimento certificado se torna também parte do atrativo para os turistas.
Produtos vegetais
As normas para beneficiar produtos de origem vegetal são diferentes das aplicadas aos produtos de origem animal e aparentemente mais simples. Alguns deles precisam de um cadastro no Ministério da Agricultura, como as bebidas alcóolicas. Mas, no geral, as agroindústrias precisam obter um alvará sanitário, geralmente junto aos órgãos municipais.
Não existe obrigatoriedade de inscrever-se num serviço de inspeção sanitária, como ocorre com produtos de origem animal, mas a atenção à higiene e à qualidade podem ajudar o empreendedor a conquistar clientes. Este foi o propósito ao lançar o Selo de Conformidade Cidasc (SCC) em 2014, cuja adesão é voluntária:
“O SCC vale para qualquer porte de empresa, mas a maioria das que aderiram são empresas pequenas, de origem familiar. É um serviço que a Cidasc desenvolveu justamente para fortalecer este tipo de negócio e ajudá-los a crescer e se diferenciar no mercado”, afirma o técnico agrícola Esp. Wladimir Marcon.
Wladimir explica que para receber o SCC, a agroindústria implementa processos e boas práticas de fabricação de nível equivalente aos adotados na produção de produtos de origem animal. O Selo é uma forma de se diferenciar pela qualidade e segurança. Entre as empresas que já receberam o SCC, há fabricantes de cereais e farinhas, de doces e de beneficiamento de frutas. Com o SCC, empresas se tornam auditáveis e podem, inclusive, se gabaritar para atender mercado externo, como, a propósito, já vem acontecendo.
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